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5 de Março, 2026

Quem perde?

À primeira vista, pode parecer um problema que diz respeito apenas às editoras.
Soa-nos até como se fosse um conflito ligado ao sector, ou uma questão meramente de candidaturas, critérios ou da própria organização, mas não…. a verdade é outra! Na minha opinião, abjeta.

O ecossistema editorial vive, ou devia viver, da diversidade, isto é, da existência de grandes grupos, pequenas editoras, projetos independentes, catálogos especializados e autores que ainda estão a encontrar o seu lugar, todos lado a lado, nem à frente, nem atrás porque é desta convivência que nasce a riqueza cultural de um país.

Ora, quando parte dessa diversidade deixa de estar presente num dos maiores encontros entre livros e leitores, leia-se, FEIRA DO LIVRO, o impacto não se limita só a quem publica os livros.
Perdem também os leitores com esta irresponsabilidade, e sabem porquê?
Porque lhes tiram escolhas, impedem-nos de descobrir livros que poderiam mudar a sua forma de ver o mundo, impingem-lhes uma narrativa limitada e controlada, feita apenas para os interesses de quem decide quem entra e quem fica de fora e de quem tenta monopolizar o mercado (os grandes grupos).
Inibem-nos do direito a explorar, a questionar e a encontrar novas vozes.

A Feira do Livro não pode ter sido criada só para ser um espaço de venda, no sentido puro e duro. Devia ser um retrato do que existe no panorama editorial de forma justa e igual.
A APEL e a Câmara Municipal de Lisboa têm uma responsabilidade: a de garantir que todas as vozes, grandes ou pequenas, tenham visibilidade.

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