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11 de Fevereiro, 2026

Não se está a ensinar a escrever

A maior parte das pessoas nunca aprende a escrever de forma genuína.
E explico!
A escola ensina os seus estudantes a seguir regras, e os profissionais, adultos a trabalhar, repetem padrões.
Segundo um relatório de investigação sobre competências de escrita nos Estados Unidos, apenas 27 % dos alunos do 12.º ano demonstram proficiência adequada na escrita, e apenas 27 % dos empregadores consideram que recém‑licenciados estão bem preparados para a comunicação escrita no local de trabalho. Estes números mostram que, apesar de se “ensinar” escrita, a aprendizagem de uma escrita que realmente comunica e pensa continua limitada.

O ensino tradicional de escrita melhora certos aspetos técnicos (como organização e estrutura), mas raramente promove uma exploração profunda da voz interior e da capacidade de pensar por escrito, e que são essenciais para a comunicação crítica, criativa e estratégica em pleno século XXI.
Mas vamos ao contexto português, onde isso é ainda mais visível: quase 46 % dos adultos, entre os 25 e os 64 anos, só conseguem compreender textos curtos e simples, colocando‑se nos níveis mais baixos de literacia de adultos numa comparação internacional.

Porém,  há pessoas que se preocupam com a descoberta de uma escrita autêntica. E há evidência de que formas de instrução que favorecem estratégias reflexivas e autoreguladas, em vez de fórmulas rígidas, produzem vantagens na qualidade da escrita.

Mas a realidade está longe de ser essa: a maioria dos estudantes nunca aprende a explorar a escrita a partir do seu interior. E muitos profissionais, nas chefias, nos recursos humanos ou em contextos que exigem comunicação assertiva, continuam a interpretar a escrita como um conjunto de regras a cumprir, em vez de um processo de pensamento e expressão.
Se queremos melhor a comunicação, não basta formar como escrever bem: é preciso permitir que cada pessoa descubra e desenvolva a sua própria voz, com formação que valorize o pensamento escrito tanto quanto as técnicas de superfície.

Falta formação que permita às pessoas olhar para a escrita e ver uma porta que abre para um vasto horizonte.
É preciso integrar nas regras (necessárias,  claramente) a vertente da exploração livre partindo do (auto)conhecimento que cada um carrega e transporta, do seu rico e fantástico percurso de vida.
As regras não servem para nada se não há,  primeiro, capacidade de escrita.

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